September 29, 2020

1 de outubro – 28 de novembro

Abertura em 1º de outubro, das 18h00 às 20h00

Galeria Brotéria, Lisboa

 

“Tantas vezes digo ao orvalho sou como tu” é o nome da nova exposição na galeria da Brotéria, que inaugura quinta-feira dia 1 de outubro às 18h, com obras dos artistas Alberto Carneiro, Baralho, Sérgio Carronha e Rita RA. A inauguração da exposição continua com a conversa “Arte, ética ambiental e espiritualidade”, às 19h30, entre Rui Martins e Sofia Guedes Vaz, moderada por Ana Patrícia Fonseca (FEC). A conversa será transmitida na página de Facebook da FEC e no Café Brotéria. Nos últimos meses, a utilização do prefixo «pan» tem-nos feito experimentar mais radicalmente o inevitável modo sistémico em que se compõe a existência no tempo e no espaço universais. A FEC — Fundação Fé e Cooperação uniu-se à Brotéria, numa tentativa de traçar uma revisitação visual da encíclica do Papa Francisco Laudato Si: Sobre o Cuidado da Casa Comum, que nos lembra que “tudo está interligado”, desenhando um ritual de reorganização da consciência integral da Natureza através de uma experiência artística imersiva. Convoca-se para o espaço urbano um encontro com a matéria da terra, sinalizando, através da raiz da árvore (Alberto Carneiro), da marcação primitiva da incidência do sol (Sérgio Carronha), de um relicário de paisagens (Baralho) e do gesto primordial da oferta do pão (Rita RA), um enraizamento com própria natureza humana, indissociável do nosso lugar na ordem dos elementos. A exposição está patente na galeria da Brotéria, no Bairro Alto, até sábado dia 28 de novembro de 2020, de segunda a sábado, das 10h às 18h. A entrada é gratuita, com lotação limitada. 

 

ARTISTAS E OBRAS

 

ALBERTO CARNEIRO 

Coronado, Trofa, Douro Litoral, 1937. Entre 1947 e 1958 trabalha em oficinas de arte religiosa da sua terra, iniciando-se nas tecnologias da madeira, da pedra e do marfim. Frequenta o ensino secundário na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, Porto, e na Escola António Arroio, Lisboa. Termina o curso de escultura da ESBAP em 1967. No ano seguinte parte para Londres como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para frequentar a Saint Martin’s School of Art (1968-1970), onde é aluno de Anthony Caro e Philip King. Em Londres contacta com as novas tendências artísticas emergentes no final da década de 1960, nomeadamente com a arte minimal e conceptual britânicas. A partir daí desenvolve projetos inovadores para o contexto português, entre os quais O canavial: memória metamorfose de um corpo ausente (1968) e Uma floresta para os teus sonhos (1970), onde se aproxima da Land Art, revelando uma “atenção especial aos valores de uma arte de «envolvimento», que abandona a primazia do trabalho manual para considerar o projeto conceptual, numa progressiva desmaterialização da obra de arte. Esta visão antropológica da criatividade artística combina-se com uma aproximação às filosofias orientais da essência e da natureza (budismo zen, tantrismo) e levam-no a elaborar o Manifesto de Arte Ecológica (1968-72) que repudia o dualismo ocidental sensualidade/espiritualidade e promove a reabilitação das coisas mais simples no significar da comunicação estética” [Melo, Alexandre – Arte e artistas em Portugal. Lisboa: Bertrand Editora; Instituto Camões, p. 152.] 

 

SÉRGIO CARRONHA 

Frequenta o curso de escultura na FBAUL até 2010, a partir de quando se dedica a explorar matérias primas como madeira, terra, pedra, matérias vegetais, desenvolvendo gradualmente um interesse pelos processos de recoleção e transformação dessas matérias. Ao longo do tempo, outros aspetos ganham importância para a sua linguagem: percorrer a paisagem e transportar os sentidos para o campo da plasticidade. Cresce o interesse pela arqueologia, provocando uma vontade de conhecer as mais diversas raízes das culturas antigas, particularmente as mais próximas dos seus antepassados. Muda-se para o interior do país (Alentejo), onde investiga e adapta os conhecimentos à prática artística. Hoje está envolvido num projecto pessoal de florestação e desenho de paisagem, de onde vem a experiência para a presente exposição. Apresentadas desde 2012, as suas obras foram expostas em museus, galerias e outros espaços culturais de Lisboa, Porto, Madrid e Roma. 

 

RITA RA 

Rita Rebelo de Andrade (Rita RA), 1992 Lisboa. Licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Estudou Arte Multimédia, um semestre na Academia de Artes e Design de Ljubljana – Eslovénia –, viveu em Londres e reside actualmente em Lisboa onde colabora com artistas visuais, músicos, performers numa prática transdisciplinar, individual e colectiva, de criação artística. + em rita-ra.com 

 

BARALHO 

Coletivo artístico formado por uma fotógrafa, um arquitecto e um artista plástico. Intercetam-se no centro de um espaço em contínua expansão, onde a singularidade de cada um é capaz de gerar uma posição consistente e renovadora, liberta da identidade pessoal. A sua vontade é descobrir com que amplitude se olha o mundo, e de que forma o conseguem transformar, quando a articulação de três posições artísticas e existenciais distintas se concretiza na resolução de um só gesto plástico. O seu trabalho tem vindo a incidir objetivamente na prática artística, entendida como um campo semântico capaz de ativar toda a extensão antropológica do Homem; no desenvolvimento e concretização de mobiliário de autor, aliando a compreensão sensível dos materiais e o seu tratamento escultórico, com o desenvolvimento da tecnologia artesanal; e pela intervenção sobre arquitetura, entendida como uma atitude concreta de ocupação e modelação do território, como o culminar de um desenvolvimento tecnológico, e como realidade plástica em sim mesma. 

 

INSTITUIÇÕES SOBRE A BROTÉRIA 

A Brotéria nasceu em 1902 como publicação mensal de cristianismo e cultura dos jesuítas portugueses. Hoje, junta-se à revista o Centro Cultural no Bairro Alto, atento à cidade e a quem a habita, com uma programação multidisciplinar que nasce da relação com a rua e onde há espaço para a espontaneidade e a discussão. Olhamos para a criação de cultura de forma circular, rigorosa e profunda, gerando e acolhendo programação artística, investigativa, discursiva, comunicativa e espiritual. Somos diálogo a muitas vozes, biblioteca de investigação, revista como rede de pensamento, café como lugar de encontro, livraria como porta de entrada, galeria como forma de expressão, casa de portas abertas ao encontro com a cidade. SOBRE A FUNDAÇÃO FÉ E COOPERAÇÃO A FEC – Fundação Fé e Cooperação é um organismo da Conferência Episcopal Portuguesa. Criada em 1990, e a celebrar 30 anos de história(s), existe com o propósito de estreitar o diálogo e a colaboração com as Igrejas dos países de língua oficial portuguesa, num trabalho de proximidade com as comunidades mais frágeis. Consciente de que os problemas enfrentados coletivamente não obedecem a geografias ou a fronteiras definidas, a FEC acredita na riqueza da diversidade e aposta em fazer pontes e cruzar realidades geográficas, culturais, religiosas e sociais, num constante movimento de trazer as periferias para os centros de decisão e levando os centros para as realidades mais periféricas, provocando assim um diálogo gerador de mudança social, que tem no horizonte a justiça, a equidade e o bem-comum.

 

English version

 

1st of October – 28th of November

Opening 1st of October, 18.00 -20.00

Galeria Brotéria, Lisbon

 

“Tantas vezes digo ao orvalho sou como tu” its the name of the new exhibition held at Galeria Brotéria, with works by Alberto Carneiro, Baralho, Sérgio Carronha and Rita RA. The exhibition opens Thursday, 1st of october, at 6 pm.

The opening continues with the conversation “Art, environmental ethics and spirituality”, at 7:30 pm, between Rui Martins and Sofia Guedes Vaz, moderated by Ana Patrícia Fonseca (FEC). The talk will be broadcast on FEC’s Facebook page and at Café Brotéria.

In the last few months, the use of the prefix “pan” has made us experience more radically the inevitable systemic way in which existence in universal time and space is composed. The FEC – Fé e Cooperação Foundation joined Brotéria, in an attempt to outline a visual revisit of Pope Francis Laudato Si’s encyclical: About the Care of the Common House, which reminds us that “Everything is interconnected”, drawing a ritual to reorganize the integral consciousness of Nature through an immersive artistic experience. An encounter with the matter of the earth is called to the urban space, through the root of the tree (Alberto Carneiro), the primitive mark of the incidence of the sun (Sérgio Carronha), of a reliquary of landscapes (Deck) and the primordial gesture of the bread offering (Rita RA), a rooting with human nature itself, inseparable from our place in the order of the elements.

The exhibition is on display at the Brotéria Gallery, in Bairro Alto, until Saturday, 28th november, 2020, Monday to Saturday, from 10am to 6pm. The Admission is free, with limited capacity.

 

ALBERTO CARNEIRO

Coronado, Trofa, Douro Litoral, 1937.

Between 1947 and 1958 he worked in workshops of religious art in his homeland, began to start with wood, stone and ivory. Attends secondary education at the Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, Oporto, and at the Escola António Arroio, in Lisbon. The ESBAP sculpture course ends in 1967. The following year he left for London with a Calouste Gulbenkian Foundation scholarship to attend Saint Martin’s School of Art (1968-1970), where he is a student of Anthony Caro and Philip King.

In London he contacts the new artistic trends of the late 1960s, namely with British minimal and conceptual art. So, he begins to develop innovative projects for the portuguese context, including O canival: memória metamorfose de um corpo ausente (1968) and  Uma floresta para os teus sonhos (1970), where he approaches Land Art, revealing a “special attention to the values ​​of a envolving art”, which abandons the manual work to consider the conceptual project, in a progressive dematerialization of the art work. This anthropological view of artistic creativity is combined with the Eastern philosophies of essence and nature (Zen Buddhism, Tantrism) and lead him to elaborate the Ecological Art Manifesto (1968-72), Which repudiates the western dualism sensuality/ spirituality and promotes the rehabilitation of the simplest things in the meaning of aesthetic communication ” [Melo, Alexandre – Arte e artistas em Portugal. Lisbon: Bertrand Editora; Instituto Camões, p. 152.]

 

SÉRGIO CARRONHA

Attends the sculpture course at FBAUL until 2010, when he dedicates himself to exploring materials such as wood, earth, stone, vegetable materials, gradually developing an interest for the processes of collecting and processing these type of materials. Over time, other aspects gain importance for their language: traversing the landscape and transporting the senses to the field of plasticity. The interest in Archeology grows, causing a desire to know the most diverse roots of ancient cultures, particularly those closest to their ancestors. Moves to the interior of the country (Alentejo), where he investigates and adapts knowledge to the artistic practice. Today he is involved in a personal forestry and landscape design project, from which comes the experience for the present exhibition. Presented since 2012, his works have been exhibited in museums, galleries and other cultural spaces in Lisbon, OPorto, Madrid and Rome.

 

RITA RA

Rita Rebelo de Andrade (Rita RA), 1992, Lisbon.

Degree in Communication Design from the Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Studied Multimedia Art, a semester at the Academy of Arts and Design in Ljubljana – Slovenia -,lived in London and currently resides in Lisbon where she collaborates with visual artists, musicians, performers in a transdisciplinary, individual and collective practice of artistic creation. + on rita-ra.com

 

DECK

Art collective formed by a photographer, an architect and a visual artist. Intercept in the center of a space in continuous expansion, where the uniqueness of each one is capable of generating a consistent and renewing position, free from personal identity. Your will is to find out how wide does the world look, and how can they transform it, when the articulation of three distinct artistic and existential positions takes shape in the resolution of a single gesture plastic. His work has been focusing, objectively, on artistic practice, understood as a semantic field capable of activating the entire anthropological extension of Man; in the development and realization of designer furniture, combining the sensitive understanding of the materials and their sculptural treatment, with the development of artisanal technology; and for the intervention on architecture, understood as a concrete attitude of occupation and modeling of the territory, as the culmination of a technological development, and as a plastic reality in itself.

 

ABOUT BROTÉRIA

Brotéria was born in 1902 as a monthly publication of Christianity and culture by Portuguese Jesuits. Today, the Cultural Center in Bairro Alto joins the magazine, with a special attention to the city and to whom lives in it, with a multidisciplinary program that arises from the relationship with the street and where there is room for spontaneity and discussion. We look at the creation of culture in a circular, rigorous and profound way, generating and welcoming artistic, investigative, discursive, communicative and spiritual programming. We are a dialogue with many voices, through a research library and magazine as a thought network, coffee as a meeting place, bookstore as a gateway, gallery as a form of expression, house with doors open to the encounter with the city.