Ian Tweedy|Wait in Line

Opening 12.11.2021
Até 22.01.22

 

Monitor Lisbon tem o prazer de anunciar Wait in Line de Ian Tweedy. Após a sua primeira exposição em Portugal ter sido cancelada em 2020 devido à pandemia e as pinturas produzidas para esta ocasião foram exibidas numa viewing room no website da galeria. Temos o prazer de finalmente apresentar o seu trabalho em Portugal pela primeira vez, com um novo conjunto de pinturas a óleo e desenhos feitos no ano corrente.

Ian Tweedy (Hahn, Alemanha, 1982) é um pintor americano nascido na Alemanha baseado em Nova Iorque. No seu trabalho figurativo, Tweedy cria uma forma de pintura histórica que se distancia da mera cristalização de um momento no tempo, a fim de conceber uma que reflicta sobre a natureza subjetiva de fazer, escrever e performar a história. O seu trabalho resulta de um desejo de reconhecer a incerteza da história, através de uma tentativa interminável de recolha dos seus vestígios e de (re)organizar as suas imagens e narrativas. Ele trabalha com diferentes meios, principalmente pintura e desenho, sobre uma grande variedade de suportes tal como fotos antigas, telas, mapas da Guerra Fria, e capas de livros.

Para a exposição Wait in Line, Ian Tweedy criou um conjunto de trabalhos inspirados por uma reflexão sobre o momento histórico no qual estamos a viver, caracterizado por uma sensação de estagnação, incerteza e desconfiança em relação ao que está para vir. Desde a actual pandemia à situação de agravamento nítido da crise climática e à persistência de uma injustiça sistémica, as nossas concepções de um progresso linear e confiança no futuro, que têm caracterizado as grandes narrativas do século vinte surgem como estagnadas e ocas de quase todos os pontos de vista. Uma fila de pessoas à espera, para além de ser uma imagem recorrente em muitas das crises em cima mencionadas, parecem sumarizar esta sensação contemporânea de apreensão e ansiedade, bem como a nossa actual relação com a história. Esta colecção de pinturas, desenhos, fotografias repondem às inquietações ao combinarem uma série de imagens que retratam uma noção de fragilidade e antecipação.

A exposição combina duas linhas diferentes de trabalhos que apresentam diferentes formas nas quais o artista trabalha com os destroços da história. Uma é composta por desenhos, fotografias e colagens nas quais o artista amplia as narrativas dos materiais de arquivo ao manipular as suas superfícies, e a outra é produzida a partir de pinturas de óleo em capas de livros antigos. No primeiro conjunto de peças, o artista trabalha directamente no arquivo, como em Wait in Line, uma intervenção de pintura a óleo meticulosamente detalhada sobre uma fotografia de uma multidão em fila para ver múmias egípcias num museu, ou em German Graffiti e Night Watch, nas quais Tweedy pintou e desenhou numa revista antiga. No entanto, em These Hills Have Folds e em Angels Skeleton, conseguimos observar uma estratégia de justaposição destinada a criar um novo significado através do contraste. Em Angels Skeleton, por exemplo, uma imagem de um tronco de árvore queimado proveniente de um livro sobre os efeitos das alterações climáticas nas árvores são mostrados lado a lado com um desenho da estrutura interior de uma estátua do Duomo de Milão.

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English version

From the 12th of November to the 22nd of January

Monitor Lisbon is pleased to announce Wait in Line by Ian Tweedy. After his first show in Portugal was canceled in 2020 due to the pandemic and the paintings produced for that occasion were shown on a dedicated viewing room at the gallery’s website, we are delighted to finally present his work for the first time in Portugal, with a new body of oil paintings and drawings made in the current year.

Ian Tweedy (Hahn, Germany, 1982) is a German-born American painter based in New York. In his figurative work, Tweedy creates a form of history painting that distances itself from a mere crystallization of a moment in time, in order to conceive one that reflects on the subjective nature of making, writing, and performing history. His work stems from a desire to acknowledge the uncertainty of history, through a neverending attempt of collecting its traces and (re)arranging its images and narratives. He works with different mediums, mainly painting and drawing, practiced on a wide variety of surfaces such as old photos, canvases, cold war maps, and book covers.

For the show Wait in Line Ian Tweedy created a body of works inspired by a reflection on the historic moment in which we are living, characterized by a sense of stagnation, uncertainty and distrust about what lies ahead. From the current pandemic to the palpably worsening situation of the climate crisis and the persistence of systemic injustice, our ideas of linear progress and trust in the future, which have characterized twentieth-century grand-narratives appear to be stagnant and hollow from almost every standpoint. A line of people waiting, besides being a recurring image in many of the above-mentioned crises, seems to summarize this contemporary sense of apprehension and anxiety, as well as our current relationship with history. This collection of paintings, drawings, photographs address these concerns by combining an array of images that depict a sense of fragility and anticipation.

The show combines two different lines of works that show different ways in which the artist works with the debris of history. One is composed of drawings, photographs and collages in which the artist stretches the narratives of the archival materials by manipulating its surfaces, and another one is made up of oil paintings on old book covers. In the first group of pieces, the artist works directly on the archive, as in Wait in Line, a meticulously detailed oil painting intervention on a photograph of a crowd queuing to see the Egyptian mummies at a museum, or in German Graffiti and Night Watch, in which Tweedy has painted and drawn on an old magazine. Instead in These Hills Have Folds and in Angels Skeleton, we can see a juxtaposition strategy intended to create new meaning from contrast. In Angels Skeleton, for example, an image of a burnt tree trunk coming from a book on the effects of climate change on trees is shown side by side with a drawing of the inside of a statue of a Saint of the Milan Cathedral.

The other group of works is made of oil paintings on old book covers collected by the artist. Ian Tweedy started working on them in 2005 and ever since they have become one of his trademark supports. His interest in these objects derives from their ambitious role of condensing on a single cover the succession of pages, characters, and tenses that make up a book, as well as their general function to enclose the collective memory of stories already read. In these works, Tweedy combines the painterly gestures of erasure, eclipse, and resumption as a way to trigger abstraction in the interferences between these large areas of colours and the meticoulously detailed figures. This intention to obscure is enhanced by the choice of representing human characters who never fully reveale their faces.

Through this constant act of collecting and grafting memories and images, Ian Tweedy aims to reflect on the limits of the archive as an objective dispositif to preserve the past and speculate on its subjective potential to create new narratives that will eventually become history.